Nessa semana trabalhamos o conceito de psicossociologia em sala de aula, segue uma breve explicação sobre o conteúdo estudado. A psicossociologia francesa, ramo da psicologia social de inspiração psicanalítica, enfoca grupos, organizações e comunidades em situações do dia-a-dia, numa perspectiva de análise e intervenção a partir de uma abordagem clínica. Seu objetivo é analisar as dimensões psíquicas, sociais e políticas pelas quais indivíduos e grupos se posicionam nas micropolíticas da vida cotidiana, nos movimentos sociais, nas organizações e nas instituições, e, a partir dessa análise, construir propostas concretas de intervenção, com vistas a ações transformadoras das relações institucionais, comunitárias e interpessoais.
A psicossociologia do trabalho não pode ser uma psicossociologia aplicada à cena do trabalho entendido somente como um segmento da vida social. Ela implica uma reavaliação do quadro teórico e metodológico da psicossociologia, na óptica dos conceitos de atividade, ação e práxis. Para isso, no entanto, ela não se propõe a romper com os antecedentes da psicossociologia, mas sim a revisitá-los, a fim de desenvolvê-los.
É relacionado à luta de mulheres trabalhadoras o fato histórico que está na origem do 8 de março, como Dia Internacional da Mulher. O que marcou esse dia foi um episódio trágico da morte de operárias norte-americanas, em 1857, vítimas de repressão brutal, quando reivindicavam condições dignas de trabalho. Em 1910, no Congresso das Mulheres Socialistas, esse dia foi promulgado como o Dia Internacional da Mulher. Relembrar essa origem nos impulsiona a tomar a questão do trabalho das mulheres como um ponto central do debate político sobre a política pública no país. Em uma de nossas aulas, durante um seminário, essa foi a grande discussão e acho válido escrever sobre o assunto.
Percorrendo a história da revolução industrial, vamos encontrar, desde o seu início, a presença das trabalhadoras assalariadas. Vale ressaltar que a mão-de-obra feminina foi numerosa e fundamental no desenvolvimento da indústria têxtil, a qual esteve no centro desse processo de transformação. Se olharmos a história do Brasil com olhos que buscam as mulheres trabalhadoras, iremos também encontrar, entre outras trabalhadoras, as mulheres negras que trabalharam nas casas-grande, como amas e criadas, sujeitas, muitas vezes, à violência física e sexual. Apesar disto, podemos perceber uma persistente negação histórica em considerar as mulheres como parte da classe trabalhadora, ontem e hoje.
O século passado viu as mulheres empreenderem verdadeira revolução de gênero em quase todos os aspectos da vida em sociedade. Na economia produtiva, não foi diferente. Mas ainda hoje, mesmo trabalhando cada vez mais e ocupando cargos em altos e baixos escalões dos diversos mercados, batalhas ainda precisam ser travadas. Mas agora com uma fundamental mudança de perspectiva: no século XXI, as mulheres tiram a igualdade do discurso e clamam por respeito. Tanto às suas habilidades e potencialidades, quanto às suas particularidades e necessidades específicas.
A psicodinâmica do trabalho investiga a saúde no trabalho e analisa o sofrimento e as estratégias de mediação utilizadas pelos trabalhadores para redefinir e superar o sofrimento no trabalho. Essa abordagem apresenta-se como relevante referencial teórico no campo da saúde mental, no contexto de trabalho. Dejours (2008, p. 94) assinala que a análise psicodinâmica é um termo proveniente da teoria psicanalítica, que designa o estudo dos movimentos psico afetivos gerados pela evolução dos conflitos inter e intrassubjetivos.
Segundo Dejours, as contradições da relação entre capital e trabalho são os motivos que conduzem ao adoecer do trabalhador e ao sofrimento físico, psíquico e emocional. A dignidade humana, portanto, tem que ser o valor supremo no mundo do trabalho e para isso é necessário resistir e vencer as dificuldades do trabalho, mas nem todos conseguem, daí o adoecer, o sofrimento e o fracasso.
Na aula em que esse assunto foi abordado tivemos o privilégio de receber a psicologa, Cláudia Magnus, servidora do Hospital Psiquiátrico São Pedro que palestrou sobre seu estudo do Sofrimento no Trabalho. Ela deixou claro que o trabalhador não é uma máquina, e que portanto precisa interpretar as ordens e não apenas obedecer regras e normas. O perigo é a interpretação individual, que pode causar riscos à segurança, por isso deve haver este espaço para falar do trabalho e discutir as contradições entre a teoria e a prática. Só assim se chega a uma arbitragem sobre as deliberações e opiniões dos trabalhadores para adaptar a norma à experiência do trabalhador. Abaixo colocarei um vídeo onde a palestrante consegue explicar em poucos minutos o assunto de maneira resumida.
É essencial olharmos para os
trabalhadores por outro ângulo, pela ótica da psicanálise, dar sentido as
pequenas coisas, buscar compreensão do que talvez não é dito, mas sim aquilo que é
captado de inconsciente para inconsciente.
“Trabalhar é sofrer resistências” e o trabalhador se engaja nos esforços, em toda sua subjetividade, e nos relacionamentos com os colegas, portanto, afirma Dejours, “falar ao colega é um modo de nos reapropriarmos de nossa inteligência”, pois somos seres relacionais, o outro constrói minha subjetividade, e tanto no amor como no trabalho a construção da identidade é através do reconhecimento. Entretanto, como evitar sofrimento do trabalhador e ao mesmo tempo manter as regras rígidas da organização do trabalho? Fica a reflexão...
Obs.: segue abaixo, para quem tiver interesse, o link com uma palestra completa da psicologa Cláudia Magnus.
Por trabalho, compreende-se qualquer atividade humana, voltada a uma finalidade específica, visando à satisfação de necessidades. O principal aspecto do trabalho, porém, não diz respeito aos objetos e bens através dele alcançáveis, mas sim à formação do próprio homem e ao seu autoconhecimento por meio do trabalho. Atualmente o trabalho tem exercido grande influência sobre as pessoas, milhões de trabalhadores vão ao serviço todos os dias, milhares de empregos diferentes, grandes oportunidades para crescer na vida e apesar de várias coisas boas trazidos por ele, há também várias consequências. O trabalho importa ao homem tanto para a sua sobrevivência, quanto para a sua realização pessoal. Dentre esses dois aspectos, é o último que mais interessa à escolha profissional e ao planejamento de carreira, vez que, ao profissional que vê o sentido de sua atividade e realiza-se nela, não faltará os meios necessários para seu sustento. Algumas pessoas não têm boas condições de trabalho, trabalham mais de oito horas por dia, em ambientes precários, sem higiene e ainda sim ganham pouco, menos de um salário mínimo. Grande parte das pessoas trabalha muito, saem às seis horas da manhã de casa para regressar ao lar somente às seis horas da tarde, devido ao trânsito e a necessidade de ganhar dinheiro para sobreviver. Após a Revolução Industrial, o trabalho humano passou a ser compreendido sob uma ótica materialista, referindo-se às atividades realizadas de modo cada vez mais rotineiro e irreflexivo. Nesse contexto, perde-se o sentido de auto-realização através do trabalho, o qual passa a ser definido como uma mercadoria, isto é, como uma simples quantidade de esforço humano a ser vendida pelo melhor preço obtido. Nada é perfeito, porém tudo é passível de mudanças o tempo todo. Há de se pensar em como dirigir as transformações de maneira mais construtiva para que o caos possa originar inovações criativas com sua própria força e refletir sempre na organização e reorganização do trabalho, seu uso, custos e benefícios.
Numa discussão em aula, chegamos no assunto sobre o suicídio. O tema foi abordado, inicialmente, através do comentário sobre uma notícia, que pode ser acessada no link abaixo para quem tiver interesse:
No Brasil pouco se fala sobre o assunto, mas o índice de suicídio perde apenas para homicídios e acidentes de trânsito entre as mortes por fatores externos. A pergunta que fica é por que não se fala sobre isso?Por que evitamos falar em suicídio? Mesmo escutando argumentos de que é uma forma de minimizar a dor da família, de não expor a vítima e de não influenciar outras pessoas a cometerem o ato, ainda não vejo sentido no silêncio da mídia perante ao suicídio. É engraçado como casos de violência extrema são noticiados todos os dias com um sensacionalismo e espetacularismo quase natural e pertinente. Homicídios, latrocínios, estupros seguidos de morte e tantos outros casos horripilantes são frequentemente acompanhados por imagens tão impactantes e desnecessárias que acabam nos causando um mal-estar e um desconforto indescritíveis.
Pesquisando sobre assunto, acabei descobrindo que existe um mês simbólico para a divulgação e o combate ao suicídio, assim como o mês de outubro, que, aborda o combate ao câncer de mama e virou Outubro Rosa. O movimento do Setembro Amarelo é mundial e ocorre no Brasil desde 2014. Ele tem duração de 30 dias e foi escolhido para acontecer no nono mês do ano, pois o dia 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio.O Setembro Amarelo é importante, pois o suicídio ainda é um assunto tabu em nossa sociedade, mesmo levando mais de 800 mil vidas por ano. As pessoas não falam sobre isso, mas não impede que seja uma prática comum.
Precisamos falar mais sobre o suicídio e o Setembro Amarelo é um modo de ajudar a dar voz a esse assunto. De acordo com o site do movimento, a Organização Mundial da Saúde, 9 em cada 10 casos poderiam ser prevenidos. É necessário a pessoa buscar ajuda e atenção de quem está à sua volta.
Inciamos a semana com um seminário referente ao livro "A Banalização da Injustiça Social", e avinhem qual foi o primeiro grupo sorteado para fazer a discussão?? Exatamente, foi o meu :D. Os únicos sorteios que dou sorte são esses da faculdade mesmo, sempre sendo uma das primeiras hehehehehe!!! Bom brincadeiras a parte vamos ao que interessa, meu grupo foi responsável pelos dois primeiros capítulos do livro, sendo o primeiro o assunto que vou abordar aqui. O título do capitulo é "Como Tolerar o Intolerável"?? muito pertinente esse tema para a realidade em que estamos inseridos.
No dicionário "intolerável " significa : que não se pode tolerar, suportar, dor intolerável, importuno, insuportável, vizinhança intolerável. Certamente alguém já passou por essas emoções, não??? Eu posso dizer que vivo passando, como sou ariana ♈ , tenho valores bem determinantes desse signo como ESPONTANEIDADE, SINCERIDADE E IMPULSIVIDADE. Aí é tenso! Porque basta perceber valores inversos a ao bom senso e a justiça, que fico logo "indignada".
Tem um artigo que cita que quando toleramos a selvageria que vivemos diante de tantas injustiças sociais estamos sendo egoístas,indiferentes e coniventes ao sofrimento alheio (é algo a refletir).
" Tolerar o sofrimento dos outros , tolerar a injustiça de que somos vítimas , tolerar o horror que nos poupa não é mais tolerância : é egoísmo, é indiferença, ou pior . Tolerar Hitler era ser seu cúmplice , pelo menos por omissão, por abandono..." (Comte Sponville).
Bom fica aqui minha reflexão sobre o assunto de uma maneira geral, acredito que todos deveriam refletir sobre o assunto. Finalizo com uma pergunta:
"O que vale é ter liberdade para consumir, essa é a verdadeira funcionalidade da democracia".
Dita pelo ator Lázaro Ramos – em "Quanto vale ou é por quilo?", filme postado acima, de Sérgio Bianchi – a frase traz uma entre as muitas questões apresentadas que são fundamentais para aqueles que desejam refletir mais seriamente sobre desigualdade, direitos e capitalismo na atualidade. Esse foi o filme visto em sala de aula, que nos remeteu a subjetividade, estudada na semana anterior, relacionada ao conteúdo visto no capitulo 05 do livro "Clínicas do Trabalho".
O filme Quanto vale ou é por quilo? mostra-nos o quanto nossa sociedade é marcada pela ideologia escravista. Mesmo já tendo se passado mais de cem anos desse regime ainda nos vemos com ideais que eram existentes no século XIX. A construção de nossa subjetividade passa por esses ideais que são mostrados na mídia, nas empresas e inclusive nas famílias. A camada endinheirada da sociedade não queria perder seus privilégios e para isso, assim que a lei da abolição foi assinada, os brancos reforçaram qualquer tipo de comportamento que pudesse os distanciar dos negros libertos. Os escravos receberam a liberdade, porém não receberam dignidade (respeito) e oportunidades – o mínimo para se viver bem. Receberam essa herança dessa época e ainda hoje se dizem livres, porém não são respeitados e ainda não tem acesso a todas as oportunidades que a camada social possuidora de bens tem. O filme trás uma discussão riquíssima, pois esse tema está presente em nosso dia-a-dia porque faz parte da construção da nossa subjetividade. Mesmo passando por estas dificuldades de acesso aos bens o que se faz quando consegue acessá-los? Será que se busca levá-los a outros que partilham da sua mesma condição inicial? E será que tudo é válido para ter acesso a esses bens de consumo? Foi válido o rapaz do filme se tornar matador de aluguel? Até onde se pode ir para conseguir estas coisas? Não podemos fazer dos outros objetos para conseguir alcançar algum patamar. Precisamos refletir eticamente sobre todas estas questões.